quarta-feira, 18 de março de 2026

Seminário de Licenciatura II

Código da disciplina: FCF690

Dia e Hora: quinta-feira, das 13:40h às 17h

Professor: Ulysses Pinheiro

E-mail: filosofiaifcs@gmail.com

Programa:

O objetivo do curso é explorar algumas dificuldades ligadas à ideia de ensino da filosofia. Iniciaremos esse percurso com o exame do Prefácio da Fenomenologia do espírito, de G.W.F. Hegel, no qual ele questiona a possibilidade de se formular um começo na exposição de um sistema filosófico. Em seguida, examinaremos as teses sobre o ensino da filosofia elaboradas por dois pensadores que poderiam ser descritos como críticos de Hegel no século XX, M. Blanchot e G. Deleuze. Embora ambos se oponham ao hegelianismo, suas teses não apenas não eliminam inteiramente as dificuldades assinaladas por Hegel, inerentes a toda e qualquer introdução à filosofia, como as tornam ainda mais profundas. Finalmente, examinaremos as posições da filósofa Anne Carson sobre os limites do ofício da tradução, estendendo algumas das aporias por ela indicadas até as noções mais amplas de comunicação, de transmissão de conhecimento e de ensino em geral.

Avaliação: Duas provas (no meio e no final do curso). A nota final será a média aritmética das notas dessas duas provas.

- aula de 26 de março:

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich – “Prefácio” da Fenomenologia do espírito.

- texto de apoio:

- "Elementos Epistemológicos no Prefácio à Fenomenologia do Espírito de Hegel", de João Alberto Wohlfart.


Bibliografia:

BLANCHOT, Maurice – “O pensamento e a exigência de descontinuidade”. In: A conversa infinita I. A palavra plural. Tradução de Aurélio Guerra Neto. São Paulo: Escuta, 2001, p. 29-40. [L’entretien infini. Paris: Gallimard, 1969].

CARSON, Anne. “Variações sobre o direito de permanecer calado”. In: Sobre aquilo em que eu mais penso: ensaios. Tradução de Sofia Nestrovski. São Paulo: Editora 34, 2023, p. 153-182. [“Variations on the Right to Remain Silent”. In: Nay Rather. Londres: Sylph Editions, 2013; republicado em Float, 2016, p. 15-34].

DELEUZE, Gilles. “O que significa ‘aprender’?”. In: Diferença e repetição, capítulo 3, “A imagem do pensamento”. Tradução de Luiz Orlandi e Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1988, p. 259-271. [Différence et repétition. Paris: Presses Universitaires de France, 1968].

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich – “Prefácio” da Fenomenologia do espírito. Tradução de Paulo Meneses. Petrópolis: Editora Vozes, 2014, pp. 363-399. [Phänomenologie des Geistes. Gesammelte Werke, Bd. 9. Herausgegeben pela HegelKommission. Hamburg: Felix Meiner Verlag, 1980].